Junior Campos Prado

10/11/2021

Cidades Inteligentes

Projetos de cidades inteligentes são realidade ao redor do mundo. A chamada quarta Revolução Industrial proporciona desenvolvimento acelerado da tecnologia que invade cada vez mais o nosso dia a dia. O objetivo é melhorar os ambientes e a qualidade de vida. Para isso, é necessário ter infraestrutura adequada e o domínio da tecnologia, tanto em sua aplicabilidade como na segurança e ética. Um longo caminho a ser percorrido. 

Representantes de dezenas de países participam da Conferência
Internacional sobre Fatores Humanos e Ergonomia (AHFE). O evento discute, dentre vários temas, a interação do homem com as novas tecnologias e suas aplicações nas chamadas smart cities, ou cidades inteligentes.

O conceito de cidade inteligente inclui sistema de pessoas que interagem e utilizam energia, serviços, materiais e financiamento para estimularem o desenvolvimento econômico e a melhora na qualidade de vida. A interação é considerada inteligente por fazer uso de infraestrutura e comunicação com planejamento e gestão urbana.

No Brasil, o primeiro empreendimento de cidade inteligente começou a ser construído por um grupo de empresas inglesas e italianas, no distrito de Croatá, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará.    

Denominada de Smart City Laguna, a cidade vai oferecer a seus moradores sistemas de aproveitamento de águas pluviais, serviços de mobilidade, coleta inteligente de resíduos, energia solar, monitoramento de qualidade do ar e da água, infraestrutura digital com Wi-Fi gratuito nas áreas institucionais, rede subterrânea inteligente de eletricidade, iluminação pública de LED, câmeras, sensores e totens.

 Ciclovias e calçadas largas com total acessibilidade também fazem parte do projeto, que vendeu até agora mais de dois mil lotes. A previsão de investimento total é de 50 milhões de dólares e a intenção da cidade é ajudar a suprir o déficit habitacional de uma região apontada como sendo de grande potencial e desenvolvimento.

Reduzir o uso de combustível fóssil, ter controle automático de tráfego,
planejamento adequado da cidade, com estímulo a fazermos nossas tarefas caminhando, morar perto do trabalho, da escola, do comércio, centros médicos, são condições para termos uma cidade inteligente”

 Diz Magaly Pazzian Romão, doutora pela USP (Universidade de São Paulo) e pela Universidade de Lisboa, e que apresentou seu trabalho NA CONFERÊNCIA INTERNACIONAL em Orlando.

Segundo o IESE Business School, da Espanha, o capital humano, o meio ambiente, a tecnologia, a governança, a administração pública, o planejamento urbano, a tecnologia, as conexões internacionais, a coesão social e a economia são itens cuja qualidade determina a cidade inteligente”.

Anabela dos Santos Aleixo Simões, catedrática na Universidade de Lisboa, acredita que a reação do homem às mudanças tecnológicas depende de fatores como idade, nível de educação e pertencer à geração mais jovem. 

Uma das principais preocupações relativas à explosão tecnológica refere-se ao mau uso dessas inovações, segundo Anabela, que é uma das participantes da conferência em Orlando. Para ela, segurança e ética são fundamentais.

“A tecnologia não para e, se pensarmos numa sociedade regida por ela,
a segurança tem que ocupar o topo das preocupações, tendo em conta o
fator humano e suas repercussões na atividade humana. Resiliência é um
conceito que incorpora essas duas dimensões da segurança e deve acompanhar qualquer projeto de inovação tecnológica”, diz.

A futurista Songdo

Com a intenção de eliminar o transporte individual, em favor dos transportes públicos e das biciletas, foi projetada a cidade de Songdo, na Córeia do Sul. Planejada no ano 2000, cerca de vinte mil unidades residenciais estão prontas no IBD (Distrito Empresarial Internacional), onde vivem atualmente cerca de 50 mil pessoas.

Uma das principais preocupações relativas à explosão tecnológica refere-se
ao mau uso dessas inovações…

Para se ter uma ideia, a coleta de lixo dispensa nossos tão familiares caminhões de lixo. Lá, um sistema de tubos pneumáticos suga o lixo das caleiras dos edifícios e o encaminha a uma instalação de classificação central, em segundos, onde, em seguida, é transformado em energia e reciclado.

O distrito tem mais de cem edifícios com certificação LEED – sistema de classificação sustentável mais usado no mundo e planeja reciclar 40% da água utilizada, além de diminuir a produção de gases em 33% em comparação a cidades do mesmo porte, na região.

Desafio

Pesquisa realizada pela Escola de Negócios IESE da Universidade de Navarra, em 165 cidades de 80 países, revelou que Nova York foi eleita a cidade mais inteligente do mundo, pela segunda vez consecutiva. Em seguida, estão Londres e Paris, respectivamente.

Todas as cidades analisadas são consideradas cidades-chave, com potencial de inteligência e sustentabilidade. Londres foi considerada aquela com melhor capital humano – devido ao seu investimento em escola de negócios de qualidade e em universidades.  Paris é a segunda melhor para o turismo e a primeira em alcance internacional e mobilidade e transporte. Inclusive estarei visitando essas duas capitais, para também observar e conhecer de perto todo esse efeito.

 Apesar das três cidades terem atingido boa pontuação em todas as categorias avaliadas, o maior desafio agora é transformarem-se em centros urbanos igualmente prósperos, justos e inclusivos.

Quando se pensa num mundo cada vez mais automatizado, como seria essa transição e como trabalhar as diferentes interfaces para que as máquinas fiquem amigáveis? São essas as preocupações para as quais buscamos respostas, de acordo com Magaly.

Com nível de tecnologia diferenciado e melhor infraestrutura, países do hemisfério norte levam vantagem sobre a aplicabilidade da tecnologia.

“O hemifério sul não tem a mesma estrutura e a população cresce. Eu e meus colegas não acreditamos que mesmo com carros inteligentes deixaremos de ter congestionamentos”.

 A previsão é que em 2050 a população chegue a nove bilhões de pessoas, num mundo com infraestrutura para seis bilhões.

Londres foi considerada aquela com melhor capital humano”

Torres em edifícios altos na Avenida Paulista, São Paulo Capital

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